
Segundo dados do INPC, o salário mínimo de 2022 poderá aumentar dos atuais R$ 1.100 para R$ 1.192,00, devido a previsão de aumento da inflação.
Essa será a maior alta do salário mínimo desde 2016, no entanto, não haverá ganho real.
Quando se fala em aumento de salário mínimo, surgem também diversos comentários sobre o aumento antecipado do valor dos bens de consumo, como alimentos e demais produtos.
É muito comum frases como "aumenta o salário, mas a comida aumenta em dobro”, ou “o reajuste do salário mínimo não acompanha a inflação do preço dos alimentos no supermercado”
Mas afinal, qual a relação entre esses dois fatores? Para compreender o aumento do salário mínimo é importante conhecer também essa relação.
Inflação: uma vilã?
Inflação é o aumento dos preços de bens e serviços, e implica na diminuição do poder de compra da moeda.
Ela é medida pelos índices de preços. No Brasil, os principais índices de inflação são o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) e o IPCA.
Geralmente, a inflação costuma ser prejudicial para a sociedade somente quando o seu nível aumenta em níveis muito altos e em uma velocidade grande.
Isso porque seu aumento acelerado não permite uma atualização rápida do poder de compra, visto que os reajustes salariais costumam ocorrer de forma gradativa e mais lenta, problema que afeta o poder de compra dos brasileiros.
Se todos os preços (bens, serviços, salários, lucros etc.) aumentassem uniformemente, não haveria problemas. No entanto, no momento em que o poder de compra é prejudicado, podemos considerar a inflação como uma vilã.
Entenda: relação entre inflação e salário mínimo
O aumento dos preços de produtos e serviços interfere na capacidade de compra do brasileiro ao longo do tempo. E esse aumento, como já citei, é causado pela inflação.
O salário mínimo, por sua vez, é estabelecido por lei e é reavaliado todos os anos com base no custo de vida da população, sua criação foi feita com base no valor mínimo que uma pessoa gasta para garantir sua sobrevivência.
A inflação, por aumentar o valor dos bens e serviços, interfere diretamente no custo de vida da população.
Nesse sentido, determinar o salário mínimo com base na inflação é extremamente necessário, visto que esses dois fatores mantêm uma relação direta.
Aumento do salário mínimo sem ganho real: o que isso significa?
Como você já sabe, o salário mínimo tem relação muito íntima com a inflação, e seu reajuste é determinado pela inflação estimada do ano anterior.
Até 2019, o cálculo do reajuste salarial era feito considerando índice de inflação medido pelo INPC, mais o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes.
A política de ganho real (2007 a 2019) garantia que o piso nacional tivesse aumento real, acima da inflação, sempre que houvesse crescimento econômico.
No entanto, em 2020 e 2021 o reajuste do salário mínimo foi feito com base apenas nos índices do INPC, com isso, não está previsto aumento real (acima da inflação).
Isso significa que o poder de compra continuará igual, sem conseguir comprar coisas a mais.
Salário mínimo para 2022
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia elevou novamente a projeção da inflação para este ano (2020).
Isso porque, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que embasa o reajuste do salário mínimo, deverá fechar 2021 em 8,4%.
Portanto, o salário mínimo de 2022 poderá aumentar dos atuais R$ 1.100 para R$ 1.192,40 no ano que vem. Se confirmada, a elevação será maior do que a proposta de R$ 1.169 estimada pelo governo no Orçamento de 2022.
É importante ressaltar que, em 2021, o salário mínimo de R$ 1.100 não repôs a inflação, sofrendo reajuste de 5,26%, abaixo dos 5,45% somados no INPC.
Dessa forma, se realmente for cumprido o reajuste sinalizado pelo governo, não haverá “ganho real” no poder de compra do salário.
A política de reajustes pela inflação e variação do Produto Interno Bruto (PIB) aponta que nem sempre o salário mínimo variou acima da inflação.
No período de 2011 a 2018, por exemplo, o reajuste foi concedido considerando o Produto Interno Bruto de 2015 e 2016, que registrou retração.